Apresentação do Método de percepção dos sinais de fertilidade

Neste primeiríssimo texto trago uma apresentação do Método de Percepção de Fertilidade (o FAM – Fertility Awareness Method) que é o método que eu utilizo desde que parei de tomar a pílula anticoncepcional em janeiro de 2015.

Decidi começar o blog com ele porque primeiro: Finalmente li o maravilhoso livro Taking charge of your fertility da Toni Weschler que é o guia definitivo desse método, entre outras coisas e estou super ansiosa para compartilhar o que aprendi e segundo: minha vida sem hormônios é a melhor vida que eu poderia ter.

livro Taking Charge of Your Fertility
Livro Taking Charge of Your Fertility da autora Toni Weschler

Ao contrário do que muito me disseram, depois que aprendi corretamente sobre o método eu deixei de ficar angustiada e com receio de estar grávida a qualquer relação sexual que eu fizesse pois adquiri tanto conhecimento sobre meu corpo, sobre mim. Sou capaz de identificar esses sinais!

A primeira coisa importante a dizer é que o método de percepção de fertilidade pode ser útil e utilizado por qualquer pessoa que tenha um útero e que não faça uso de métodos de contracepção hormonais que inibem a ovulação pois sem ela não há sinais de fertilidades. Ou ainda mesmo se não inibirem, será um outro tipo de muco cervical, por exemplo… Você poder anotar o que perceber, claro! Será bom de realizar também! Mas não será propriamente um sinal de fertilidade.

Então se você quiser engravidar, ou na verdade quiser evitar uma gravidez ou ainda compreender melhor o seu funcionamento, do seu corpo… Esse método pode ser incrível assim como foi e é para mim.

Sobre o conhecimento do próprio corpo e como isso é extremamente poderoso!

Depois que comecei a praticá-lo, tive contato de verdade com o muco cervical. Um fluido que sai pelo buraquinho do colo do útero, percorre o canal vaginal e as vezes aparece na calcinha. Algo normal! Que demonstra que seu corpo está bem, saudável, feliz.

Mas não é difícil encontrar a terrível confusão entre muco cervical e corrimento vaginal, por exemplo. O muco é normal, universal e ele é cíclico! Sendo um dos sinais analisados quando passamos a fazer o rastreamento do nosso ciclo menstrual.

Esse rastreamento é mais do que ter controle sobre o próprio ciclo, saber quando irá ovular e em decorrência dela, quando irá menstruar… Também é internalizar o pensamento de que há sintomas emocionais e físicos, fluídos, dores que são naturais do nosso corpo!

Então para além de um método contraceptivo eficaz como irei trazer nas próximas postagens. O método de percepção de fertilidade te mostra o que é esperado pelo nosso corpo e fase do ciclo em que nos encontramos. Te auxilia a identificar o que é e o que não é um problema ginecológico e também como você se sentirá em cada fase.

Mês passado eu dividi que estava tendo dores fortíssimas durante a ovulação. Eram dores tão fortes mas tão fortes que se eu não rastreasse meu ciclo eu com certeza teria ido ao hospital já esperando o diagnóstico de alguma doença gravíssima.

Mas não precisei. Eu sabia a fase que estava. Eu identificava outros sintomas emocionais característicos, eu identificava a instabilidade emocional que eu estava lidando há meses nessa fase e ao invés de me causar uma tremenda ansiedade e perder horas no hospital, eu pude tentar compreender o porquê e pensar no que eu poderia fazer para aliviar: Eu fui praticar Yôga e me nutrir com alimentos leves.

Melhorei. Marquei sobre esse episódio na minha Mandala lunar e me preparei para evitar passar por esse situação de novo no próximo mês. E deu certo! Compartilhei também como eu estava feliz e disposta há alguns dias atrás! Para esse autoconhecimento e compreensão é extremamente necessário ter um caderninho ou agenda virtual para anotar! Há inúmeras mandalas lunares disponíveis para impressão e anotar todo e qualquer sintoma por dia ajuda e muito!

Uma coisa que deve ficar bem clara de início é que o Método de Percepção de Fertilidade não é uma tabelinha! Não envolve estatísticas futuras baseadas por ciclos passados. Não é matemática.

Não somos robôzinhos e dizer que o ciclo menstrual deve ter 28 dias e a ovulação ser no 14º é um grande mito que muitos nos prejudica – Seja por acharmos frequentemente que temos um ciclo irregular, seja por engravidarmos sem vontade de sermos mães, e também atrapalhando os casais que querem ter filhos!

Porque sim… Quantos casais estão há anos sem conseguir engravidar? Eu aprendi muito desse método em blogs de mulheres “tentantes” porque elas viram nesse método a possibilidade de saber exatamente quando estarão ovulando e isso ser uma grande ajuda para a realização da maternidade que tanto buscam. Digo mais, muitas vezes é só conhecimento que precisa! E não as tecnologias reprodutivas caríssimas e inacessíveis.

Então vamos de novo: Método de percepção de fertilidade não é tabelinha! E está tudo bem termos um ciclo menstrual de 21 a 35 dias. Esse método se baseia em 3 verificações: 1) Muco cervical; 2) Temperatura basal; 3) Posição e textura do colo do útero.

Eu vou explicar cada um nas próximas postagens, fica de olho! Mas se a curiosidade estiver muita, no @vulvapolitica as primeiras postagens são sobre esse método. Também tentarei te motivar a continuar lendo sobre mesmo se você usar métodos hormonais que inibem a ovulação e estiver feliz com eles. Não por querer que você pare mas sim mostrando como é importante ter domínio da sua saúde reprodutiva e sexual para além da contracepção! (compreensão também da saúde emocional!)

Métodos de percepção de fertilidade, portanto, tem a ver com conhecimento e pasmem: nós conseguimos ter mais conhecimento sobre o nosso corpo do que médicos porque afinal, quem melhor que nós? quem que vive nesse corpo?

Mas nossa Bia, você está dizendo que as/os médicas/os ginecologistas não são importantes? Jamais! Estou dizendo que a/o profissional da saúde deve ser um auxiliar no seu processo de cuidado à saúde. Os exames Papanicolau são importantíssimos e devem ser feitos em consultório anualmente. É preciso continuar se consultando mas também podemos sim deixar de sermos tão dependentes de médicos e passarmos a nos autoconhecer e compreender.

Estou dizendo que devemos puxar a nossa responsabilidade também, inclusive! Eu demorei para aceitar isso mas a verdade é que médico algum tem tempo de ficar me explicando calmamente todos os métodos contraceptivos existentes. Vivemos em uma sociedade capitalista, lógica do mercado. Há médicos que sentem que não estão oferecendo a melhor consulta a paciente se não oferecer esses exames tecnológicos e a modernidade da contracepção hormonal; e claro, há os que estão de fato de mãos dadas com a indústria farmacêutica e colocando a vida de pacientes em extremo risco. Mas também há os que simplesmente não tem tempo de atender a alta demanda do jeito que gostariam!

Temos que pensar também: O que eu quero?

Quando decidi parar a pílula anticoncepcional eu também decidi que nunca mais faria uso de métodos contraceptivos hormonais e que eu descobriria como levar essa vida sem hormônios e sem engravidar. E eu pesquisei muito pela internet, li todos os documentos do Ministério da Saúde, participei de oficinas de Ginecologia autônoma.

Há médicos violadores de direitos humanos e isso é outro tema. Mas vamos pensar: Se nós não sabemos o que se passa no nosso próprio corpo, se mal marcamos o começo da nossa menstruação… Como esperamos que a consulta seja esclarecedora? Devemos nos ajudar! irmos insubordinadas as consultas se necessário, termos dúvidas, levarmos estudos, materiais, verificarmos o colo do útero em conjunto.

Claro que isso deveria ser ensinado na escola! Deveríamos adquirir esse conhecimento desde novinhas. E claro que essas informações infelizmente não chegam a muitas mulheres. Eu consegui pois além de vontade, eu tenho acesso a um computador, a internet, leio em inglês e espanhol.

Então reside a necessidade de multiplicar esse conhecimento ao máximo. Passar a informação a diante, para mulheres da nossa família, amigas, mulheres que moram nas proximidades… Abrir o leque de opções sobre contracepção, curas de problemas ginecológicos, sobre nossos direitos sexuais e reprodutivos. Fazer com que os médicos falem sobre isso e que sejam informações atualizadas e de acordo com os direitos humanos.

Há todo um movimento de mulheres deixando de tomar o anticoncepcional pelos malefícios gerados e eles terão que lidar com isso! Deverão se atualizar, apresentar alternativas

Mas aviso: responsabilidade é preciso se quisermos ter autonomia. O Método de percepção de fertilidade me trouxe uma relação extremamente positiva com o meu corpo mas exigiu dedicação da minha parte (e também de parceiros pois esse método consegue ser um meio de divisão de responsabilidades quanto à contracepção sim!). Exigiu desenvolver esse olhar mais detalhista. Exigiu anotar tudo o que eu verificasse. Exigiu acordar e já colocar um termômetro na boca. Exigiu verificar o muco cervical e meu colo do útero com os dedos e o espéculo. Isso todos os dias!

Itens - Ciclo Menstrual
O que eu uso durante todo o meu ciclo menstrual (O termômetro está faltando pois está emprestado! haha mas já já ele dará as caras por aqui)

E foi e é fascinante, na verdade. As vezes eu nem sabia se estava verificando corretamente mesmo. Mas anotava… É assim no início. Estamos aprendendo algo novo. Durante essa fase de aprendizado é extremamente necessário que se faça uso de uma contracepção de barreira! A camisinha! Muitas são as mudanças que podem acontecer no seu corpo caso tenha parado de tomar hormônios recentemente e os sinais não serão confiáveis.

Eu uso o preservativo em todas as minhas relações sexuais pensando também em prevenção de ISTs – Infecções Sexualmente Transmissíveis. E não sou da opinião que devemos abrir mão da contracepção de barreira mesmo em relações monogâmicas.

Meu investimento como esse método foi pequeníssimo. Um termômetro que consegue ler duas casas após a vírgula, um espéculo vaginal, um caderno para as anotações e aí sim: MUITO estudo e vontade de aprender.

Em poucos minutos a verificação é realizada mas devemos fazer todas elas e todos os dias! Seguir as regras com compromisso para funcionar! Depende unicamente de nós mesmas! O que me fez desenvolver um processo de autoconfiança e autoamor.

Não faz sentido sermos férteis poucos dias no mês e lidarmos com os maléficios trazidos muitas vezes pela contracepção hormonal ou ainda estarmos constantemente com medo de uma gravidez não planejada e desejada. Além disso, gastando dinheiro com pílulas do dia seguinte, com consultas desnecessárias ou enfrentando filas no sistema público com mulheres que de fato possam estar precisando da consulta ginecológica.

Convido a todas a quererem saber mais sobre esse método. Para ampliar o poder de escolha mesmo! Você decidirá se serve ou não para a sua vida ou o que você quer fazer com esse entendimento…

Arte Merakilabbe
A arte da capa é da Vanja Vukelic. É possível ter acesso ao seu trabalho pelo @merakilabbe no Instagram

Mas reafirmo a minha opinião: Ele me é revolucionário. Um ato político. O autoconhecimento me é empoderador! Me fez sair de um estado de passividade. Me fez agir, tomar o controle do meu corpo para mim. E valeu e vale muito a pena!

Beijo,

Bia.

9 comentários em “Apresentação do Método de percepção dos sinais de fertilidade

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  1. Amei, Bia! A percepção da fertilidade uma é ferramenta poderosa e espero que um dia todas as que possuem úteros possam usufruir dela. Ansiosa pelas próximas postagens. Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi, Bia! Estou gostando muito do seu blog e do seu carinho textual 🙂
    Algumas dúvidas:
    1. Você anota a temperatura basal e a altura do colo do útero no seu caderno de mandala lunar?
    2. Onde você comprou o caderno? s2

    Eu imprimi a mandala a partir de um site que vc mesma indicou!

    Sou muito grata por vc!!! 🙂

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    1. Oi Fernanda! Que delícia receber esse comentário!

      1. Eu voltei a tirar a temperatura recentemente. Estava usando o aplicativo de Kindara mas comecei a aprender uma outra metodologia de percepção de fertilidade chama Método Justisse ai estou fazendo no papel com o material deles.
      Mas muco e colo do útero eu anoto na Mandala sim. Inclusive no diagrama com um lápis bege.

      2. Hoje em dia tem bastante mulheres produzindo diários menstruais, mandalas, calendários lunares… Essa em específico você encontra no http://www.mandalalunar.com

      Fico super feliz de verdade! Sou uma grande defensora de rastrearmos o nosso ciclo. É de um ganho de autoconhecimento incrível

      Beijo em você ❤

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      1. Oi, Bia!
        Que interessante. Vou procurar esse material do Justisse.
        O lápis bege indica que vc fez a medição com o espéculo?
        Eu já tenho essa ideia de me auto conhecer há um tempo, mas senti mais necessidade nesses últimos tempos e já quero começar já!! hahaha ❤
        Um beijo :*

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      2. Não, usava o lápis bege para indicar muco cervical.

        Pinto de vermelho os dias de menstruação e de bege os dias que percebo muco fértil (entre a menstruação e a ovulação). O muco eu verifico com toque vaginal e passando o papel higiênico na vulva (:

        Você vai AMAR! Sério! É um autocuidado!

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