Eu siririco, ela siririca, nós siriricamos e nada você tem a ver com isso

Tive que fazer esse texto antes de continuar com o Método de Percepção de Fertilidade pois não dá para compreender o conservadorismo estúpido (e misógino) que cerca esse nosso país.

Mas… estremeceee mesmo, patriarcado!

Arte Ouvra
“Você consegue lidar com isso?” ” Eu não acho que eles consigam lidar com isso”. Arte de Maria Rozalia Finna, conheça pelo @ouvra no Instagram

E pra começar:
Por que será que uma parte considerável dos homens cis flertam tanto com a mediocridade e ignorância? É uma pergunta bem sincera.

Que medo é esse de que nós descubramos sobre nós mesmas, sobre nossas próprias sexualidades, prazeres, desejos, obtenhamos conhecimento dos próprios corpos?
Não pode ter uma oficina de debate sobre sexualidade feminina na Universidade (organizada pelas próprias estudantes, sem absolutamente nada de recurso público) que eles saem de seus buracos para darem suas opiniões valiosas e tentar impedir que nós saibamos a importância de ter controle sobre o nosso corpo, nos darmos prazer de forma autônoma – Coisa que muitos deles não conseguem proporcionar a suas parceiras.

Com qual intenção? O que eles tem a ver com isso?!

Felizmente estamos cada vez mais e mais falando sobre essas questões, quebrando o tabu quanto a sexualidade, orientação sexual, menstruação, tipos de vulva.
Fazendo uma volta histórica política, econômica, cultural e social para compreender o porquê de estarmos como estarmos, o porquê de termos crescido ouvindo que masturbação era errado para nós, que nossas vulvas eram nojentas, que a menstruação deveria ser escondida, que éramos inferiores por engravidarmos.

Se eles não conseguem lidar com a nossa maravilhosidade e o autoconhecimento que estamos adquirindo… Que se recolham a própria insignificância, sabe!
Sabermos sobre nós mesmas e nossos direitos sexuais e reprodutivos é fundamental. Para evitarmos violências, abusos, por exemplo. Termos voz, nos empoderar.

Exigirmos uma educação em sexualidade positiva, acesso a métodos contraceptivos, respeito a autonomia, a privacidade.
Levando para a área da saúde… Quantas de nós já abaixamos a cabeça para ginecologistas por termos tido uma educação fraca e insuficiente quanto ao nosso corpo? nossa anatomia? nosso funcionamento?
Quantas de nós começaram a usar métodos contraceptivos que não queríamos por medo imposto pelo médico? Quantas de nós entra e sai de exames ginecológicos nos sentindo invadidas sem saber o que foi feito?
De novo: Que medo é esse de que alcancemos um grau de independência no nosso cuidado?

Apenas lamento por todos eles. Estamos nos educando, uma passando informação de qualidade a outra, falando sobre clitóris e orgasmos, nos tocando internamente, fazendo autoexames, vendo colos do útero, nos curando naturalmente, resgatando saberes e memórias ancestrais, compartilhando sobre métodos contraceptivos não hormonais, nos encorajando.

E não é por pura e simplesmente rebeldia não. É insubordinação também. É ato político da mesma forma! É entender a quem nosso corpo pertence mesmo. É nosso, viu?

Antes de ser tocada por eles, que eu seja tocada por mim! Que eu saiba de mim! Me escute, me toque, me ame e valorize.

Só digo uma coisa para estes aí: Seja aliado do autoconhecimento, crescimento e empoderamento das mulheres que estão na sua vida ou vá embora. Se não for, tocaremos vocês pra fora de qualquer forma. Vai vendo.

Uma vez que descobrimos o nosso valor… aiai, não tem vez pra esse tipo de homem não!

Uma sugestão maravilhosa de leitura é o livro da autora Liv Stromquist chamado “A origem do mundo. Uma história cultural da vagina, ou vulva vs. o patriarcado”. Com tradução do sueco de Kristin Lie Garrubo
Liv é sueca, quadrinista e estudou Ciência Política.

Deem uma olhada na descrição do livro: “Com humor afiado, a artista sueca expõe as mais diversas tentativas de domar, castrar e padronizar o sexo feminino ao longo da história. A origem do mundo esquadrinha nossa cultura e vai até o epicentro da construção social do sexo. Para Liv, culpabilizar o prazer é um dos mais efetivos instrumentos de dominação.

Capa livro
Capa do livro “A origem do mundo. Uma história cultural da vagina ou a vulva vs o patriarcado.”

Por que as sociedades alimentaram uma relação tão esquisita com o órgão sexual feminino ao longo dos séculos? Por que essa parte do corpo foi com tanta frequência representada de maneira casta e infantil? Por que a menstruação é um tema apagado de nossa cultura quando costumava ser algo sagrado para os povos ancestrais? De que maneira se desenvolveram as ideias de gênero e identidade sexual? A origem do mundo escancara interditos e desafia mitos e tabus. Um livro genial, catártico e absolutamente necessário.”
Incrível, né?

Quão maravilhoso é ter esse livro em quadrinhos! Como ele é recém lançado, o preço ainda está meio alto e não acho que seja possível encontrar PDF na internet. Mas é uma boa compra coletiva entre amigas e sempre pode ser emprestado!

A Netflix também está com uma série chamada “Explicando”. Toda quarta é lançando um novo episódio e o de ontem 22/08 foi sobre orgasmo feminino! E ele nos conta que é mais difícil atingir o orgasmo em relações heterossexuais… Alguma surpresa? 65% das mulheres hetero responderam ter orgasmos com regularidade contra 66% das mulheres bi e 86% das mulheres lésbicas! Fica a dica para conhecer a série que é bem interessante e assistir esse em especial.

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Sinopse do episódio Orgasmo feminino da série Explicando disponível pela Netflix

É isso… Dá um cansaço as vezes, sabe? É claro que não são todos, é claro que muitos estão interessados em aprender, é claro que há mulheres conservadoras também.

Mas se você está lendo isso eu só quero te dizer: (Auto)Conhecimento é poder! Busque conhecimento, busque autonomia, liberdade… E só mantenha na sua vida quem queira te ver florescer!

Beijos,

Bia.

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