Diafragma: Conheça esse método não hormonal

Eu me lembro que no ensino fundamental nós fomos divididos em grupos e cada um ficou com um método contraceptivo.

Adivinha qual foi o meu? Sim, ele mesmo… o Diafragma! haha

Eu e minhas amigas na época pesquisamos sobre ele, imprimimos as imagens, montamos toda a nossa apresentação na cartolina e entre nós brincávamos imitando a posição de colocação com a perna levantada apoiada na cadeira.

Diafragma fofo impede a entrada dos espermatozóides pelo buraquinho do colo do útero

Mas os anos passaram, eu fui direto para a pílula anticoncepcional após minha primeira relação sexual. Só fui lembrar depois em 2015, quando parei o uso do AC e começando a estudar a Ginecologia autônoma e natural.

O problema é que as/os ginecologistas não sabem dele! Não falam dele ou quando falam vem munidos de desinformação e sarcasmo.

Assim, ele não foi minha primeira escolha. Estava tudo certo para eu colocar o DIU de cobre que eu acabei desistindo poucos dias antes de inserir.

Estava e estou feliz no preservativo e no método de percepção de fertilidade mas esses dias últimos dias, no final de 2018, eu tive uma chance de experimentá-lo.

Encontrei com a Ellen, parteira do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde e marcamos uma consulta. Conversamos, tirei minhas dúvidas mas tive muita dificuldade em colocar o diafragma! Justo eu! haha. Uma pessoinha que se dá tão bem com o próprio colo do útero, que incentiva a colocar dedinhos no canal vaginal e tudo.

Fui para casa sem ele depois de muitas tentativas frustradas. Dois dias depois voltei lá e descobrimos que o tamanho ideal era um tamanho maior. O menor não cobria por nadinha o meu colo do útero.

No Brasil quem fabrica o diafragma é a Semina e são 6 tamanhos diferentes: 60, 65, 70, 75, 80 e 85mm. A validade é de 5 anos a partir da data de fabricação.

E o que ele é afinal?

O diafragma é um método contraceptivo de barreira feito de silicone com um aro de metal flexível. Ele funciona cobrindo o colo do útero se ajustando entre o púbis e a parede posterior da vagina.

A medição deve ser feita por um profissional e é disponibilizado os moldes dos tamanhos para a testagem.

O cuidado com a escolha do tamanho ideal é em ele não ficar pressionando a uretra, ficar muito próximo ao ossinho púbico pois isso pode causar infecção urinária.

Deve ser introduzido momentos antes de iniciar a relação sexual dobrado e sempre conferir se o colo do útero está coberto! Depois da relação deve ser retirado apenas após 8 horas para dar tempo da acidez do canal vaginal dar fim ao espermatozóides.

Parece grande sim! haha mas vamo parar de ter medo da nossa ppka também, né? Cabe sim! E não é para ser sentido/machucar durante relação com penetração.

As precauções se dão em sempre verificar se ele está direitinho. Sem furos, arranhados. A higiene é com água e sabonete neutro devendo secar muito bem e voltá-lo para a caixinha de plástico.

É um método adaptável a todas que possuírem interesse. Não possui hormônios o que muito me agrada e pode ser sim uma opção para as mulheres que assim como eu buscam por novas possibilidades.

O diafragma em si não é novidade. Em 1800 e pouquinho ele já existia e foi muito usado na década de 70 aqui no Brasil pelo esforço de grupos como o SOS Corpo e o Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde.

Mostrarei no próximo post aqui no blog que desde aquela época já havia grupos de mulheres feministas com um olhar crítico e ponderado ao uso do anticoncepcional. Há situações e situações para o uso hormonal.

A onda que vemos hoje de cada vez mais mulheres procurando por outros meios de se ter contracepção não é nova. Nós que não sabíamos desses grupos!

Devemos criar demanda pelo diafragma. Exigir que profissionais saibam medir e que possuam informações corretas sobre esse método. É uma boa forma de conhecer o próprio corpinho e também uma forma de resistência porque não é perceptível! Nós colocamos, nós tiramos.

O SUS possui o diafragma para distribuição gratuita mas para isso devemos exigir que se fale dele! Que ele seja apresentado como uma opção dentro do planejamento reprodutivo. Muitos profissionais da saúde falam que o diafragma não existe mais ou dão risadas por ser algo “antigo”.

Direitos reprodutivos exigem informação de qualidade e ampla gama de métodos contraceptivos e não risadas.

O diafragma não previne infecções sexualmente transmissíveis então ele não só pode como deve ser usado em conjunto com o preservativo seja ele masculino ou feminino.

Não se é mais fabricado no Brasil o espermicida que costumava ser indicado no uso porque estava causando problemas para a saúde do canal vaginal.

O uso ideal é com camisinha e ter conhecimento sobre o próprio ciclo menstrual é sempre bom, né? Falo sobre o método de percepção de fertilidade que não é a mesma coisa da tabelinha em postagens anteriores.

Deixo aqui o site do Coletivo para quem não conhecer, conhecer correndo pois o trabalho é incrível: http://mulheres.org.br/

E também um vídeo da Médica Ginecologista e Obstreta Halana Faria do Coletivo também explicando sobre esse método: https://youtu.be/IJe5V4yzfxI

Paguei R$90 comprando com o Coletivo.

Da minha parte vou começar a usá-lo todos os dias para ver a minha adaptação! Estou tão feliz! Seja bem-vindo em minha vida, diafragma!

Espero que tenham gostado,

Beijos, Bia.

3 comentários em “Diafragma: Conheça esse método não hormonal

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  1. Oi! Relembrei do diafragma lendo seu post. Pelo que entendi, então para quem quer abrir mão da camisinha, não existe espermicida no Brasil que possa ser utilizado com ele?

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