190 | Ciência para e por vulvas políticas e politizadas

Arte por @tinamariaelena

Falando de nós e dos nossos interesses de Vulvas políticas e politizadas: Quais são as nossas necessidades de pesquisas científicas?
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Tudo que eu aprendo eu busco levar para o campo dos Direitos Sexuais e Reprodutivos. Durante a disciplina de Ética em Pesquisa com Seres Humanos dialoguei sobre o que já trouxe por aqui: História e experimentos quanto ao Essure, anticoncepcional, espéculo ⠀⠀⠀
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Desde que eu comecei o mestrado em Bioética/UnB eu entrei em contato com tantas violações no meio da ciência, da medicina. Um histórico pesado! A busca por novos paradigmas de fazer ciência é urgente. Uma ciência para nós, corpos que ovulam e menstruam, inclusive – A Revista Scientific American há poucos meses trouxe uma publicação importantíssima em que o AC é considerado “o maior experimento médico não controlado feito em mulheres na história” pela Dr. Elizabeth Kissling. Eu fico indignada!
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A minha formação em Ciência Política acredito que me tornou uma estudante mais crítica e engajada mas eu não sabia nada sobre as técnicas e marcos regulatórios que envolvem a ética na pesquisa, por exemplo. Eu sabia explicar todo nosso contexto neoliberal – provindo do capitalismo, imperialismo, modernidade mas não sabia como eu poderia entrar no debate prático. Minha formação precisava ser para além do teórico. Precisava do concreto e aplicável. Recebi esse aporte durante o semestre letivo ♡
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Aprendi que atualmente no Brasil nós temos os CEPs – Comitês de Ética em Pesquisa, subordinados a CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculados a instituições como Universidades, Hospitais, Secretarias de Saúde. O sistema CEP/CONEP é independente e tem como objetivo a proteção das/os participantes de pesquisa. O Brasil é um dos poucos países que não possui Comitês de Éticas “independentes”, ou seja, comitês que podem ser criados por empresas. Mas o PL 7082/2017 em tramitação na CD quer mudar essa realidade e trazer mais um monte de coisa ruim e violadora de direitos humanos (!) e eu não preciso nem dizer a quem isso é interessante, né? (oi, indústria lucrativa e pesquisadores, médicos aliados à ela)

As opiniões dos que querem a aprovação do PL é o mesmo de sempre: burocracia que atrasa o desenvolvimento científico no brasil. Mas não abrem o diálogo para melhorar o sistema. Querem é retirá-lo

Camilo, meu orientador e facilitador da disciplina, constantemente nos questionava a importância de estarmos ali, debatendo. Como fazer pesquisa clínica de forma justa e ética em um mundo globalizado? Como conciliar a ética e o progresso da biotecnociência/biotecnologia? Como tornar a ciência não voltada a lógica do mercado mas sim ao acesso à saúde? Quais são as necessidades de pesquisa em saúde no nosso país?

Defender a Ética na Pesquisa e as suas instituições práticas são fundamentais. Pensar em promoção, prevenção, prudência, proteção (Os 4Ps da Bioética) é fundamental.

Temos pontos de resistência a tudo isso no Brasil e na América Latina. Movimentos que buscam por pesquisas cooperativas indo contra ao hegemônico. É um respirar saber que estou e quero estar desse lado da produção científica.

Agradeço ao meu professor pela oportunidade de poder falar sobre isso com vocês ♡

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